quarta-feira, 6 de março de 2013

Meu abismo

Eu estava desolada quando avistei um enorme abismo à minha frente, parecia a maior atração da minha vida, mas de repente você me viu e segurou a minha mão. Falou palavras que me convenceram a ficar. Quando as luzes se apagaram, você trouxe brilho, trouxe felicidade onde só habitavam lágrimas. Quando eu me sentia vazia, era você quem preenchia cada cantinho solitário da minha existência. E com o tempo esqueci a solidão, me desacostumei a viver com ela, pela sua substituição. Nos dias sombrios, admirava seus braços abertos em minha direção, visão perfeita contemplada por mim, eu cabia certinho naquele confortável abraço que eu tanto adorava. Se as lágrimas caiam, até mesmo que por alegria, você as enxugavam e dizia palavras carinhosas por uma voz máscula que agradavam meus ouvidos e coração, tanto quanto os seus lábios foram moldados para os meus. Vivíamos em sintonia.
Mas eu sentia que mesmo você me salvando da tragédia física um precipício se formava dentro de mim, bem mais atraente e eu realmente queria pular. Eu queria me entregar de corpo e alma naquele precipício desconhecido, eu já estava quase lá, faltava pouco para sentir o vento no rosto e mergulhar naquela escuridão que aos poucos iriam preencher os meus dias. Na verdade lá estava eu caindo no precipício do amor, e eu tinha consciência disso e naquele momento  era o único lugar onde eu queria estar, na beira daquele precipício, e pular na certeza de não haver retorno, queria me jogar no amor. Para sempre.

(M. R. A.)



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