quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A despedida

Em meio à despedida, entre abraços, beijos no rosto e olhares já saudosos, ela sentiu um tremor percorrer o corpo todo e teve medo. Alguém percebera? Tudo estava muito nítido. Um nó se formou na garganta, tinha vontade de dizer algo, mas a voz não lhe obedeceu, as palavras de desespero, suplicantes por socorro ficaram por dizer, talvez não resolveriam se fossem expostas, mas ela estava disposta à correr o risco, era uma necessidade da sobrevivência da sua alma. Ele estava à sua frente, com um olhar misterioso, os lábios travados na tentativa falha de um sorriso. O coração dela palpitava de agonia, pois o futuro era incerto, o tempo estava passando e ela permanecia ali, parada à frente do homem que amara aqueles meses todos em silêncio, conseguia apenas observá-lo e rezava internamente para que ele percebesse o amor a tempos residente do seu pobre coração. Os lábios estavam travados, se ousasse os abrir o choro seria inevitável, por isso aproximou-se do amado, deu-lhe o último beijo, inundou-se em seus braços, respirou fundo o seu perfume favorito e se afastou. Recolheu todas as lembranças, guardou todas as palavras bonitas e verdadeiras para uma outra ocasião, foi corajosa quanto a isso, porque no seu íntimo algo sussurrava que seria a última vez que o veria, mas ela tinha esperança e em meio aos beijos, abraços e despedidas ela se despediu e se foi, com aquele choro enroscado na garganta, com as lembranças, palavras, sentimentos a sufocando. Porém ela se foi, para nunca mais voltar.

(M. R. A.)


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Demonstre-me seus sentimentos com palavras, ficarei lisongeada em lê-los.