quarta-feira, 1 de julho de 2015

Porque é quando ele mais precisa que o nada aparece.

Na triste chuva de lágrimas procurava a mão estendida e o nublado assustava.
Aquela antiga mão que confortava e apoiava, simples miragem, nevoeiro de outrora.
Foram tantos sorrisos, nos juramentos do compromisso de amizade eterna.
Era tanto amor eterno, foram tantos carinhos fraternos enquanto se usava terno. Era.
Agora desnudo, na incrédula fragilidade, o nada se faz presente. E do presente já não frui, se desfaz. Se desfez, talvez. 
Sabor de vida amarga. Era doce a ilusão, doce ilusão, mas era doce o sabor de se ter pessoas.
Como possuir o subjetivo se a alma desconhece? O íntimo não se aguenta em fragilidade, é o outro que desconheço. 
Difícil entender nas entrelinhas manchadas pela tristeza que contorna a maçã do rosto na curva dos lábios dos amargos passados que nunca passaram. É a acidez presente que azeda o paladar futuro que já não terá, que jamais verá e que não aparecerá. 
Por que? Ora, porque a resposta sempre vem do começo de tudo. 
A explicação e, quem sabe, a solução.


(M. R. A.)

Um comentário:

  1. Uma crônica-poema muito interessante! Quantas vezes só o nada comparece?! Quantas vezes o passado não passa?! Quantas vezes o sentir será tão estranho lá dentro, que alguém possa estranhar seu próprio ser?! Amizades e amores eternos são sonhos portentosos, mas inviáveis realidades. Muito belo! Beijossssssss

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Demonstre-me seus sentimentos com palavras, ficarei lisongeada em lê-los.