terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Manhã nublada e um som de serra elétrica estridente pairando no ar. Estava tão inquieta que podia jurar que Jason Voorhees estava a dois passos de mim. Corri tanto! Oh pai... como corri e aquele barulho me perseguia.
Cheguei em casa tão atordoada, que pude ver a serra ultrapassando meu peito e voltado para dentro, indo e voltando tão rápido que meus olhos mal podiam acompanhar aquele ritmo veloz.
Olhei em volta, tudo tão diferente, quase irreconhecível, faltava algo - logo notei. De repente o som parou e senti meu coração agora em câmera lenta, coração tão bipolar...
Aquele chão de pedras que outrora foram como diamantes para mim, ao acompanhar os passos do meu amado indo e vindo do trabalho, hoje eram apenas pedras que se fossem cravadas no meu peito não doeria tanto quanto a ausência.
Coloquei três pedras na beira do muro e observei aquela casa que foi morada de quem me tirava suspiros todos os dias. Observava e era tanta vida que despertava da minha alma, que apenas agradecia aos seres superiores a dádiva de ter olhos para o contemplar. Eu era jovem e ele o amor secreto.
Sonhava acordada ao som de Simon and Garfunkel enquanto eu apenas tinha o som do silêncio... 
Mas nesse dia, tudo foi diferente. Como o mais belo e forte soldado, por mais escondido que esteja sempre é descoberto e chamado para a guerra, um dia ele se foi. E eu sentada em meios as pedras do caminho, tão arrasada que as lágrimas fugiram de mim e escorreram por dentro, para amenizar os cortes que me deixaste interiormente. 
Fui à estação e enquanto o trem ia para frente eu olhava para trás. Ele não estava mais lá e nem no vagão que sempre estivera, Sabe-se lá as forças divinas que lugar teve a honra de recebe-lo. 
Eu olhava para trás, mas quando olhei para frente, que loucura! O som da serra voltou e ela ainda estava dentro de mim, desta vez apenas batendo em meu peito.

(M. R. A.)


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Demonstre-me seus sentimentos com palavras, ficarei lisongeada em lê-los.