sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Que horror...

Logo no início ja senti aquele cheiro podre vindo em minha direção. Estranho, porque o sentido era interno semelhante ao sexto, sussurrando: "isto já não presta, isto não vai prestar..."

E não prestou. Era como conviver com uma criança, cuidar de um filho babão, chorão e carente, que mente para ganhar um doce. E logo na primeira semana um "Eu te amo". O que?
É, "isto não vai prestar"- pensei, enquanto passava um pouco de perfume no ar.

Algo que ficasse menos incômodo. Algo que eu conseguisse inspirar.

Dois carentes e muito tempo perdido. Coisas assim nos sugam a alegria, nos faz perder o ânimo, os sonhos, as fantasias...

Que horror! Isso que da querer ser "única" e gostar da sensação de controle sobre tudo. Só a sensação mesmo, porque de fato as coisas ficam doidas e bem doidonas! Bem que a mãe de Santo falou... se eu ao menos tivesse a ouvido... se tivesse ouvido... se tivesse... Não seria eu.

E foi bem assim, em meio a trancos, barrancos e insatisfações que a carência segurou dois inseguros que viviam a ilusão de criar um mundo. O diálogo era tão miserável que cada um criou o seu mundinho. O real ficou sem graça, sem sal, sem aroma.

Pelo amor e pelo ódio. Se intercalavam, até que um dia o ódio sobressaiu e o amor fedeu de uma forma tão grosseira que não havia perfume francês no mundo que desse jeito naquele mal feito.

É... que horror.

E saber que eu senti desde o início... E ainda sinto.

(M. R. A.)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Demonstre-me seus sentimentos com palavras, ficarei lisongeada em lê-los.